O fornecedor manda um relatório com a palavra “aprovado”. Antes de liberar o corte, pergunte o que exatamente foi aprovado: um rolo específico, a parte inspecionada do embarque ou uma média entre os rolos revisados? Em seguida, pergunte qual regra de aceitação o inspetor aplicou.
A inspeção de tecido só é útil quando o resultado controla a liberação do material. Uma pontuação, sozinha, não autoriza o corte, não resolve uma reclamação contra a tecelagem e não prova que as peças prontas vão passar na inspeção final. O comprador precisa de uma ligação clara entre o relatório, os rolos físicos e as instruções de corte.
O que o sistema de 4 pontos mede
O método atribui pontos de penalidade aos defeitos visíveis do tecido e expressa o total em relação à área inspecionada. Ele descreve o material observado, e não a porcentagem de peças defeituosas que você vai receber. A V-Trust explica essa diferença (em inglês): a nota vem dos defeitos visuais, enquanto a aceitação depende de critérios combinados antes.
No recebimento da fábrica, comece pela identificação. Peça à equipe de almoxarifado que confira a etiqueta de cada rolo com o pedido de compra, o artigo do tecido, a cor, o lote de tingimento (banho) e a nota de entrega. Mantenha essa identificação no relatório de inspeção. Sem ela, um resultado correto pode acabar vinculado ao material errado.
Na prática, o operador passa o rolo pela máquina de revisão de tecidos, observa o material sob a luz e registra cada defeito no momento em que aparece. Mesmo assim, o seu procedimento de recebimento deve definir qual face é examinada, as condições de iluminação, o comprimento e a largura medidos e a posição dos defeitos com precisão suficiente para que outra pessoa os encontre de novo no rolo.
Diferencie estoque recebido de estoque liberado. Um rolo pode estar fisicamente no depósito e ainda aguardar revisão ou uma decisão do comprador. A produção precisa enxergar esse status sem ter de procurar numa troca de e-mails.
O mercado aplica a escala de 4 pontos com base na ASTM D5430-26, Standard Test Methods for Visually Inspecting and Grading Fabrics. Citar a norma não define o limite de aceitação do seu pedido. As explicações deste guia se apoiam em materiais públicos do setor, e não em texto reproduzido da norma.
Como o comprimento do defeito vira pontos de penalidade
Na inspeção pelo sistema de 4 pontos, o inspetor mede cada defeito e aplica as regras de pontuação combinadas. A tabela abaixo segue as faixas de comprimento e as regras específicas para furos descritas no guia de pontuação do Textile Blog e no guia de inspeção do Textile Study Center. As medidas originais são em polegadas; os valores em centímetros entre parênteses são conversões aproximadas para referência.
| Medida do defeito | Pontos de penalidade |
|---|---|
| Comprimento até 3 polegadas, inclusive (≈ 7,6 cm) | 1 |
| Acima de 3 até 6 polegadas, inclusive (≈ 7,6 a 15,2 cm) | 2 |
| Acima de 6 até 9 polegadas, inclusive (≈ 15,2 a 22,9 cm) | 3 |
| Acima de 9 polegadas (≈ 22,9 cm) | 4 |
| Furo ou abertura de até 1 polegada (≈ 2,5 cm) | 2 |
| Furo ou abertura acima de 1 polegada | 4 |
Um único defeito não recebe mais de 4 pontos, segundo as regras de pontuação da V-Trust. Um defeito contínuo recebe 4 pontos por jarda afetada, conforme descreve o Textile Study Center. Confirme antes da inspeção como serão tratados defeitos contínuos e repetitivos; não deixe que o inspetor improvise essas regras no meio de uma disputa.
Os pontos não são o registro inteiro. Guarde o tipo, a posição, a extensão e as fotos de cada defeito, para que o corte consiga distinguir uma mancha isolada de um risco recorrente. O total do rolo não diz ao encaixe (risco) onde estão as áreas aproveitáveis. Para classificar os defeitos mais comuns no recebimento, use o nosso checklist de controle de qualidade de roupas.
Calcule a nota por área e só depois aplique o contrato
Na inspeção de tecido, o denominador importa. O total bruto de pontos não permite comparar com justiça rolos de comprimentos ou larguras diferentes.
Com o comprimento em jardas e a largura em polegadas, a fórmula explícita é:
Pontos por 100 jardas quadradas = (total de pontos × 3.600) ÷ (comprimento inspecionado em jardas × largura do tecido em polegadas).
É a fórmula publicada pela V-Trust, com os fatores de conversão já agrupados. Informe no relatório qual largura foi usada e adote a mesma base da especificação do comprador. Não troque em silêncio a largura total pela largura útil.
Para quem trabalha em metros, a conta equivalente é pontos por 100 m² = (total de pontos × 10.000) ÷ (comprimento em metros × largura em centímetros). Atenção: 100 jardas quadradas equivalem a cerca de 83,6 m². Um limite de 40 pontos por 100 jardas quadradas corresponde a aproximadamente 47,8 pontos por 100 m². Os dois números não são intercambiáveis.
Confira também a unidade do relatório antes de comparar a nota com um limite. O Textile Study Center observa que o comprador pode definir os pontos aceitáveis por 100 jardas lineares ou por 100 jardas quadradas. Alguns compradores e tecelagens usam a base linear. As unidades não se equivalem: o mesmo tecido pode parecer aceitável em uma e reprovado na outra. Uma cláusula que diz apenas “40 pontos”, sem citar a unidade, a base de largura e a regra de arredondamento, não especifica nada mensurável. Exija esses termos na cláusula de inspeção e no relatório antes de qualquer decisão de aprovação ou reprovação.
Exemplo prático: como interpretar o relatório de um rolo
O exemplo publicado pela V-Trust usa um rolo de 120 jardas de comprimento e 45 polegadas de largura, com 22 pontos de penalidade. Com esses dados:
- Área inspecionada = 120 × 45 ÷ 36 = 150 jardas quadradas (≈ 125,4 m²).
- Nota normalizada = 22 × 3.600 ÷ (120 × 45).
- Ou seja, 79.200 ÷ 5.400 = 14,67 pontos por 100 jardas quadradas, arredondado para duas casas decimais.
- Na base métrica (≈ 109,7 m × 114,3 cm), o mesmo rolo dá cerca de 17,5 pontos por 100 m².
Os dados de entrada vêm desse exemplo; as contas acima estão mostradas passo a passo. A V-Trust apresenta o resultado como 14,66, sem arredondar a dízima para cima.
O rolo passa? Só em relação a uma regra identificada. A V-Trust relata que algumas fábricas aceitam até 40 pontos por 100 jardas quadradas, enquanto os compradores definem os próprios limites. Já o Textile Blog diz que 40 ou mais é reprovado e depois descreve limites negociáveis. As duas fontes divergem justamente no limite. O seu contrato precisa resolver isso, inclusive se o valor-limite em si é aceito.
Com uma regra combinada de “até 40”, o exemplo cumpre o limite de densidade. Ainda restam tonalidade, ensaios físicos e defeitos proibidos à parte. E a nota não diz quantas peças podem ser cortadas desviando dos defeitos registrados.
O que um rolo reprovado deve acionar antes do corte
Depois de uma inspeção de tecido reprovada, o depósito deve segregar os rolos afetados até que uma pessoa autorizada decida o destino deles. Um fluxo de recebimento funcional separa quatro situações: liberado para corte, uso restrito, retido por tonalidade e rejeitado. O comprador pode usar a divisão de responsabilidades abaixo ao combinar o procedimento de recebimento do pedido.
| Responsável | Registro ou ação a exigir |
|---|---|
| Recebimento ou depósito | Identificar e segregar os rolos retidos; impedir que sigam para o corte. |
| Controle de qualidade da fábrica | Guardar o mapa de defeitos, as fotos, as medidas, o cálculo da nota e o requisito não atendido. |
| Merchandiser ou contato de compras | Avisar o comprador e o fornecedor do tecido; registrar as soluções possíveis e o impacto no prazo. |
| Representante autorizado do comprador | Aprovar por escrito o destino do material ou o desvio, com escopo e condições. |
| Planejamento de corte | Atualizar a lista de rolos liberados e o plano de consumo depois da decisão. |
Se o relatório do fornecedor e o da fábrica divergirem, guarde os dois. Quando fizer sentido, retenha amostras identificadas, vinculadas à posição do defeito e ao rolo. Uma foto de perto, sem escala nem localização, é uma evidência fraca para uma reclamação.
Combine a solução comercial com o fornecedor. Reposição significa identificar rolos substitutos e inspecioná-los antes da liberação. Um crédito pode cobrir uma perda financeira acordada, mas o controle de qualidade ainda precisa decidir se o material pode ser usado. O uso com desvio exige autorização por escrito, com os rolos afetados, o uso permitido e as restrições de corte. Em caso de rejeição, registre as instruções de devolução ou descarte e quem arca com o custo.
Antes de aceitar um crédito, pergunte quem paga o consumo extra de tecido, o recorte e o atraso. Se um desvio não pode ser seguido na mesa de corte, ele não é uma instrução de produção viável. Não libere estoque retido só porque a costura está precisando de material.
Transforme os rolos liberados em um plano de corte controlado
Envie ao planejamento o resultado da inspeção de tecido rolo a rolo, incluindo o material retido dentro de um embarque que, no geral, foi aceito. Exija uma lista de corte com os rolos liberados, os grupos de tonalidade aprovados, as dimensões aproveitáveis, a posição dos defeitos e as restrições.
Corte em uma sequência registrada, dentro dos grupos aprovados. Não existe uma regra universal de “do melhor para o pior”: a sequência deve seguir os requisitos de tonalidade do pedido, as necessidades do encaixe e os comprimentos aproveitáveis disponíveis. Registre as substituições, em vez de deixar o enfestador trocar um rolo retido pelo primeiro rolo que estiver por perto.
Defina por escrito quais rolos podem ser usados juntos, com base no padrão de cor aprovado; o nosso guia de aprovação de cor (lab dip) mostra como fixar esse padrão antes do tingimento em lote. Mantenha os pacotes de peças rastreáveis até o rolo e o enfesto, para que os grupos de tonalidade não se misturem na costura ou no recorte. Passar no limite de pontos não comprova compatibilidade de cor.
Para um defeito localizado, pergunte ao planejamento se o encaixe consegue desviar dele sem perder partes necessárias. Documente qualquer emenda, área descartada ou restrição de alocação de partes. Um defeito longo e recorrente pode deixar largura útil insuficiente para o encaixe previsto, mesmo quando a nota média parece aceitável.
Reavalie o consumo de tecido com base no estoque liberado e aproveitável. Se desviar dos defeitos gerar falta de material, resolva a reposição ou o plano de quantidades antes de enfestar. Um crédito da tecelagem não fornece as partes que faltam.
Por que a nota do rolo não substitui o AQL da peça pronta
A inspeção de tecido e o AQL da peça pronta respondem a perguntas diferentes. A primeira atribui pontos de penalidade visual à área de tecido inspecionada. O segundo usa uma amostra de unidades prontas para apoiar a decisão de aceitar ou não um lote.
Os planos de amostragem usados pela maioria das fábricas no lado da peça pronta são indexados pelo limite de qualidade aceitável (AQL) da ISO 2859-1:2026, edição que substitui a ISO 2859-1:1999. A escala de 4 pontos para tecido não tem tabela de tamanho de amostra nem índice AQL.
A explicação de AQL da QIMA descreve como escolher o tamanho da amostra e aplicar os números de aceitação e rejeição. Em pedidos de roupas contados por unidades não conformes, registre se cada peça amostrada falha na classe de defeito correspondente e compare a contagem com o plano combinado. Não use os pontos do tecido no lugar dessa contagem.
Não existe conversão da nota por área de um rolo para um nível de AQL. Da mesma forma, a aprovação por amostragem de um lote de peças não autoriza, retroativamente, um rolo reprovado.
A ligação entre as duas etapas é a rastreabilidade. Um mapa de defeitos do recebimento pode sinalizar riscos de material para verificações posteriores, mas a inspeção pré-embarque ainda precisa avaliar as peças prontas em relação aos requisitos do pedido. Costura, medidas, etiquetas, embalagem e o funcionamento do zíper não ficam aprovados por causa da nota de um rolo. Se a peça de produção não sair igual à amostra aprovada, veja também o que controlar quando o lote sai diferente da amostra.
Coloque as regras de decisão no pedido de compra
A cláusula de inspeção deve permitir que comprador, tecelagem e confecção cheguem à mesma decisão a partir da mesma evidência. Escreva-a antes do embarque, enquanto ainda há tempo para repor material inadequado. Se você ainda está montando a cotação, inclua esses pontos no seu checklist de RFQ de confecção.
Especifique:
- As regras de atribuição de pontos, as definições de defeito e o tratamento de defeitos recorrentes.
- Quais rolos serão examinados, como serão escolhidos e se o comprimento inteiro será revisado.
- As convenções de comprimento e largura inspecionados, a unidade de área e a regra de arredondamento.
- Os limites por rolo, eventual regra por embarque e o tratamento exato dos valores no limite.
- Os padrões de tonalidade aprovados, os requisitos de largura útil, os ensaios e as condições inaceitáveis à parte.
- Quem pode liberar material retido, aprovar um desvio, acertar custos e autorizar o corte.
- Os campos do relatório, as evidências guardadas, o prazo de aviso e a verificação dos rolos de reposição.
Evite que a cláusula inteira seja “aprovado conforme o padrão do setor”. A V-Trust descreve expressamente critérios de aceitação definidos pelo comprador. Um método de pontuação sem termos de aceitação deixa a decisão comercial em aberto.
Saiba o que o relatório não consegue provar
A cobertura da inspeção limita a conclusão. Examinar alguns rolos não comprova a condição dos rolos não examinados. Examinar só parte de um rolo não gera um mapa de defeitos do comprimento inteiro.
Até “100% inspecionado” precisa de definição: todos os rolos, o comprimento inteiro ou apenas os rolos selecionados? O fornecedor pode chamar uma amostragem ampliada de inspeção total, mas isso não prova que o seu embarque recebeu uma ou outra. Peça o inventário de rolos e os comprimentos inspecionados que sustentam a afirmação.
Mantenha os resultados individuais visíveis. Uma média do embarque pode esconder um rolo inaceitável. Se for combinar notas, recalcule o resultado normalizado a partir do total de pontos e da área total inspecionada. Não faça a média simples das notas por rolo quando as áreas inspecionadas forem diferentes. Isso é apenas a aplicação da fórmula baseada em área.
A classificação visual também não comprova durabilidade à lavagem. Trate formação de bolinhas (pilling) e solidez da cor como requisitos separados, com ensaio próprio, quando forem relevantes. Uma superfície limpa no recebimento não é resultado de ensaio.
Como isso se aplica à NOVITA
Em um pedido OEM/ODM com a NOVITA, use o checklist de controle de qualidade de roupas para organizar os requisitos de recebimento, corte e peça pronta. Peça à equipe do projeto que confirme a cobertura real da inspeção de tecido, quem tem autoridade para liberar o material e quais registros serão entregues no seu pedido, em vez de presumir que um guia do site prova que determinado embarque foi aprovado.
Perguntas frequentes
Existe uma nota de aprovação universal?
Não. Comprador e fornecedor precisam combinar os limites de aceitação e se um resultado exatamente no limite passa. Os próprios guias publicados divergem nesse ponto, por isso o pedido de compra precisa de redação explícita.
Pontos de penalidade são o mesmo que número de defeitos?
Não. A tabela atribui penalidades diferentes conforme o tamanho medido e o tipo do defeito. Guarde a lista de defeitos junto com o total, para que o resultado possa ser conferido e usado no planejamento.
Um rolo aprovado ainda pode ser inadequado para o corte?
Sim. Incompatibilidade de tonalidade, largura útil insuficiente ou um defeito recorrente podem impedir o corte das partes previstas. A liberação deve tratar essas condições separadamente do limite de densidade de pontos.
Um crédito do fornecedor permite que a fábrica use um rolo reprovado?
Não por si só. O crédito resolve uma questão comercial, enquanto a liberação do material exige uma decisão de produção. Qualquer autorização para usar o rolo deve identificar o material e as restrições por escrito.
Inspecionar alguns rolos prova que o embarque inteiro está bom?
Não. A nota observada descreve o material inspecionado; qualquer decisão de aceitação mais ampla depende do plano de amostragem combinado. Peça a lista de rolos inspecionados e os detalhes de cobertura antes de interpretar uma aprovação do embarque.
Uma boa nota no rolo garante aprovação no AQL da peça pronta?
Não. A nota do rolo trata de defeitos visíveis do tecido por área inspecionada; a amostragem da peça pronta avalia unidades acabadas com um plano de aceitação próprio. O corte e a costura podem introduzir problemas que não existiam no tecido recebido.




